A discussão em torno do câncer como uma doença multifacetada está longe de ser resolvida e, atualmente, gera tensão na oncologia moderna. De um lado, a visão clássica genética prevalece, e do outro, propostas alternativas, que veem o câncer por uma lente metabólica, ganham cada vez mais atenção. Entre essas vozes, Thomas N. Seyfried sobressai, defendendo a ideia de que o câncer é essencialmente um distúrbio metabólico graças à sua associação com a hipótese de Otto Warburg. Porém, a popularidade não é sinônimo de completude científica, e uma análise rigorosa sugere que Seyfried carece de uma compreensão mais ampla que integre biofísica, epigenética e evolução energética. Este artigo propõe uma crítica estruturada ao seu modelo, explorando as limitações dessa perspectiva, bem como a importância de novas abordagens integrativas.
1. O Legado de Warburg: Observação Correta, Causalidade Equivocada
Otto Warburg foi pioneiro em identificar o alto consumo de glicose pelas células cancerígenas, conhecido como “Efeito Warburg”. Contudo, seu erro foi atribuir causalidade a essa observação, argumentando que a disfunção mitocondrial obrigava as células a recorrer à fermentação. Na realidade, décadas de pesquisas demonstraram que essa generalização não se sustenta. A dependência das células cancerígenas do metabolismo de glicose não é um fenômeno universal, mas sim uma adaptação de certos tipos de câncer.
2. Mitocôndrias Funcionais em Células Cancerígenas
A visão de Seyfried de que todas as células cancerígenas possuem mitocôndrias “defeituosas” foi refutada por evidências que mostram que muitas células tumorais mantêm mitocôndrias funcionais. Estudos recentes revelam que a fosforilação oxidativa (OxPhos) ainda desempenha um papel significativo na produção de ATP em diversos tipos de câncer agressivos, como melanoma e glioblastoma. Essa adaptação metabólica indica que a respiração mitocondrial pode coexistir com processos fermentativos, invalidando a premissa central da hipótese de Seyfried.
3. Epigenética Vem Antes da Mutação
A partir da medicina moderna e da oncologia, emergiu uma nova compreensão: os genes são muitas vezes modulados epigeneticamente antes que mutações fixas ocorram. O DNA mitocondrial, com uma taxa de mutação mil vezes superior ao nuclear, é particularmente suscetível a essas alterações epigenéticas. Fatores ambientais, como luz e campos eletromagnéticos, influenciam essa expressão gênica, estabelecendo uma narrativa que culmina na necessidade de considerar a epigenética como um fator precursor no desenvolvimento do câncer.
4. Biofísica Ignorada: Câncer Não é Apenas Química
A ausência de uma abordagem biofísica no modelo de Seyfried é um dos pontos mais críticos de sua análise. O câncer não é simplesmente o resultado de reações químicas; as interações energéticas e a organização em campos elétricos também desempenham um papel crucial. A equação de Gauss, representada como ∇·E = ρ/ε₀, nos mostra que a densidade de carga influencia como os campos se espalham, implicando que a biologia das células cancerígenas é também uma questão de biofísica.
5. Melanina e Melatonina: Engenharia Evolutiva de Carga
A melatonina, que evolutivamente migrou das glândulas pineal e intestinal para as mitocôndrias, tem um papel fundamental na regulação energética e na modulação elétrica das células. Essas moléculas não são apenas metabólitos; são ferramentas biofísicas essenciais que melhoram a coerência energética celular. Isso sugere que a carcinogênese está ligada à desorganização de campos bioelétricos, algo que a abordagem de Seyfried não contempla.
6. Flexibilidade Metabólica: O Calcanhar de Aquiles do Dogma
Um conceito-chave que Seyfried frequentemente ignora é a flexibilidade metabólica das células cancerígenas. Quando uma via metabólica, como a glicólise, é inibida, as células tumorais demonstram capacidade de reprogramar seu metabolismo, utilizando OxPhos ou outros substratos energéticos, como glutamina e corpos cetônicos. Essa adaptabilidade demonstra que os cânceres não se prendem a uma única estratégia metabólica, o que contraria a visão de Seyfried.
7. Glutamina, Anabolismo e Crescimento
Complementando o quadro apresentado, o papel da glutamina no metabolismo celular é fundamental, já que serve não apenas de combustível para as mitocôndrias, mas também como precursora de nucleotídeos e suporte do ciclo de Krebs. Essa utilização de glicose para biossíntese, ao invés de apenas sobrevivência energética, sublinha a necessidade de se ver o câncer como um fenômeno anabólico e não restrito à falta de energia.
8. Falta de Universalidade: O Modelo Que Não Fecha
Importante ressaltar que o Efeito Warburg não se manifesta em todos os tipos de câncer. Algumas formas tumorais, em especial as mais agressivas, dependem fortemente do metabolismo oxidativo. A diversidade nos fenótipos metabólicos, mesmo dentro do mesmo tumor, evidencia que uma única causa não pode ser atribuída a todos os cânceres.
9. O Problema Central de Seyfried
Embora Thomas Seyfried seja um bioquímico respeitável, seu modelo revela falhas significativas: a falta de integração com princípios biofísicos, um enfoque limitado sobre a evolução energética da vida e a subestimação de fatores como campos elétricos e a organização quântica biológica. Portanto, Seyfried explica parte do câncer, mas não a totalidade da doença.
10. Alinhamento com os ROOT Protocols e a Visão Bioenergética Integrativa do Câncer
Os ROOT Protocols oferecem uma abordagem Integrativa que aborda a energia organizacional como ponto de partida na compreensão do câncer. Essa hierarquia estabelece uma relação de causa e efeito que se inicia nos campos biofísicos em detrimento da simples bioquímica, proporcionando um entendimento mais amplo e integrador do câncer.
Princípios Centrais dos ROOT Protocols:
- Hierarquia Energética: A proposta é que o campo biofísico (energético) é a base que organiza processos celulares, incluindo mitocondriais, epigenéticos e metabólicos. A hierarquia sugerida é:
– Campo biofísico → Organização mitocondrial → Epigenética → Metabolismo → Genética.
- Redefinição da Causalidade: Em vez de considerar o metabolismo como a principal causa das doenças, os ROOT Protocols afirmam que o metabolismo é um marcador tardio da desorganização bioenergética. Assim, as terapias devem ser orientadas para restaurar a organização biofísica da célula.
- Tratamentos Integrativos: Os protocolos enfatizam a importância de fatores como luz (solar e espectral), campos eletromagnéticos, água estruturada e a carga elétrica ambiental, que afetam a saúde celular e influenciam a expressão gênica.
- Foco na Mitocôndria: As mitocôndrias são vistas como mais do que mera usina de energia; elas atuam como interfaces biofísicas e reguladoras do fluxo energético e da organização celular.
- Epigenética como Linguagem: A epigenética é considerada a linguagem pela qual o campo energético influencia o genoma, regulando processos como metilação e remodelamento da cromatina.
- Metabolismo como Ferramenta: O metabolismo, como dieta e intervenções nutricionais, é usado estrategicamente para suportar o tratamento, mas não é visto como a resposta primária para a cura.
Os ROOT Protocols buscam, assim, uma compreensão mais profunda e integrada da biologia e do tratamento do câncer, desafiando paradigmas reducionistas e promovendo um enfoque que considere a totalidade do organismo, suas interações energéticas e ambientais. Essa abordagem está alinhada com tendências emergentes na medicina integrativa e na pesquisa sobre como a energia e a informação influenciam a saúde.
Conclusão
O câncer é uma condição multifatorial e não deve ser restrito a explicações genéticas ou metabólicas isoladas. O desafio da oncologia moderna é compreender esta doença como um estado de desorganização energética, manifestando-se em níveis epigenéticos e biofísicos. Questionar o modelo de Seyfried não implica em desqualificar a relevância do metabolismo. A verdadeira ciência avança quando paradigmas pré-estabelecidos são desafiados e integrados, não idolatrados.
Referências
- WARBURG, Otto. On the origin of cancer cells. Science, Washington, v. 123, n. 3191, p. 309–314, 1956. DOI: 10.1126/science.123.3191.309.
- SEYFRIED, Thomas N. Cancer as a metabolic disease: on the origin, management, and prevention of cancer. Hoboken: Wiley, 2012.
- VANDER HEIDEN, Matthew G.; CANTLEY, Lewis C.; THOMPSON, Craig B. Understanding the Warburg effect: the metabolic requirements of cell proliferation. Science, Washington, v. 324, n. 5930, p. 1029–1033, 2009. DOI: 10.1126/science.1160809.
- LIBERTINI, Lucia J.; LOCASALE, Jason W. The Warburg effect: how does it benefit cancer cells? Trends in Biochemical Sciences, Cambridge, v. 41, n. 3, p. 211–218, 2016. DOI: 10.1016/j.tibs.2015.12.001.
- REITER, Russel J. et al. Melatonin as an antioxidant: under promises but over delivers. Journal of Pineal Research, Hoboken, v. 61, n. 3, p. 253–278, 2016. DOI: 10.1111/jpi.12360.
Este artigo propõe um convite à reflexão crítica e aberta sobre como o câncer pode ser mais bem entendido ao integrar diversas disciplinas e evidências emergentes.





